Ars Scientia

Lá porque a perfeição é aborrecida, a compreensão é um mal necessário. Onde ciência, artes e letras convergem num estranho expoente.

Substantivo abstracto passa a ser o QUÊ? Peixe-espada o quantas?

Alguém me consegue explicar porque razão vão mudar a terminologia linguística dada às crianças? Do básico ao secundário? Sinceramente, com tantas coisas a precisar de mudança urgente na educação e gastam tempo a afundar um sector já por si vai mal das pernas? Realmente, neste país é só OTAs e OTÁrios.

18 Abril, 2007 Publicado por Ludovico M. Alves | Ars Scientia, Comportamentos, Humanidades, Literatura, Notícias, Sociedade, Tendências | | 7 Comentários

Austrália… ou deverei dizer, Terra Java?

Pois, parece que isto de resolver as coisas há altura da hora só é uma coisa portuguesa muito recentemente. Já não há dúvidas, nós descobrimos a Austrália aproximadamente 250 anos antes da viagem de James Cook.

Ao que parece, Cristóvão de Mendonça liderou aquela que supostamente seria uma reacção da nossa Coroa à viagem de circum-navegação de Fernão de Magalhães. A sua missão era de levar quatro caravelas e atravessar o estreito de Magalhães, dirigindo-se ao longo do Pacífico para exploração do território entre a Ásia e as Américas. Como é que um calhau daquele tamanho como a Austrália passou despercebido, muita gente perguntará. Porque razão a descoberta nunca foi divulgada ou a Coroa Portuguesa reclamou os direitos sobre o local?

A verdade é que só a viagem já era uma infracção do Tratado de Tordesilhas e apenas Espanha teria direito à exploração e colonização da Terra Java. Preferindo entregar a descoberta ao oblívio ao invés de às mãos de Espanha, assim se perdeu a causa para os Ingleses. Até recentemente. Estudos com o “Vallard Atlas” mostravam um misterioso mapa que definia com pormenor a baía de Sidney, assim como outros marcos geográficos. E com indicações em português. Assim, como na altura os Brasileiros nem se tinham descoberto a si mesmos, não há dúvidas sobre os autores. Os portugueses tiveram na Austrália antes de 1545, mais exactamente, segundo outros dados, em 1522.

O culpado

Não seria mais simples terem graffitado “Portugueses tiveram aqui?”. Qualquer dia até na ilha do Lost encontram prova de que os portugueses tiveram lá antes que os outros todos.

31 Março, 2007 Publicado por Ludovico M. Alves | Ars Scientia, Ciência, Humanidades, Notícias, Sociedade | | 3 Comentários

Publicidade da repetição

O que faz um investigador quando a sua área de investigação se torna uma pária?

Faz dinheiro e revoluciona o mundo do marketing.

Cada vez nos enterramos mais numa sociedade de “ácidos nucléicos”. Geneticista começa a ser uma designação que não só ultrapassa a barreira das profissões, começa a entranhar-se na ideia de construção social. Passou a própria barreira do termo. Apesar de ao começar este artigo, rever a clara situação da difamação dos estudos de eugenia e genética após a Segunda Guerra Mundial e a consequente migração de cientistas da área para outros sectores, os memes são um exemplo mais recente. Os velhotes reformularam a nossa maneira de ver a publicidade, trazendo uma visão metódica e científica, com factores de atracção e toda uma construção de selectividade e herança.

Arquitectos utilizam memes e genes na elaboração de edifícios. Onde há alicerces, também a suporte de ideias e de espaços humanos. Antropologia moderna emprega tantos geneticistas como investigadores mais “clássicos”. Cada vez mais, o centro com mais candidatos deixa de ser o centro de desemprego…

E isto tudo porque eu estava aborrecido e precisava de reafirmar que está tudo interligado.

22 Março, 2007 Publicado por Ludovico M. Alves | Ars Scientia, Comportamentos, Humanidades | | Sem comentários ainda

Coisas que eu não precisava de saber… e vocês também não #1

Ignorância é mesmo uma benção. Depois de Microbiologia, há tanta coisa que não vou voltar a olhar da mesma maneira… Que nunca tive a ideia que eram tão concorridas. Como vaginas, por exemplo. Maldita candida.

9 Março, 2007 Publicado por Ludovico M. Alves | Ars Scientia, Humor | | 4 Comentários

Escapismos

É o homem que resignado com o mundo, entrega-se ao trabalho, esquecendo os seus sonhos pelo custo de uma vida. É o mesmo homem que não se nega mergulhar numa série ou num livro que reflecte a ilusão romântica da sua carreira e percurso ideal. É o mesmo homem embalado na canção da sublimação, transmitindo nos filhos o desejo de seguir aquilo que não conseguiu, aceitando que é feliz assim.

É a rapariga indecisa, magoada num cedo desabrochar para a realidade das expectativas e desilusões, que na sua imaginação cai numa fuga para uma ilha deserta. Uma deserta ilha, mas cheia de pessoas com que se pode identificar, companheiros de naufrágio, amigos antagonistas, pessoas duvidosas com que ela se inclui, mas pessoas duvidosas que estão na transformação para algo melhor. Algo que lhe dá esperança. Que lhe dá forças. É a mesma rapariga, procurando na sua indecisa realidade pessoas que gostaria que a acompanhassem na viagem a essa ilha…

È a mulher desiludida com o aborrecimento e a falta de inovação e vitalidade da sua vida. Sedenta da chama que rotina e ausência de novos prazeres, sentiu-se obrigada a refugiar-se em romances de arlequim e fantasias de abuso e de forçada satisfação. É a mesma mulher, gastando num pequeno doce ou pessoal oferta a fortuna que pode ser mais útil animando-lhe um dia que tem sido mau, pior do que a sua doméstica miséria. É o mesmo futuro, passado na construção e pequena decomposição do ambiente que a rodeia, no pulso firme da maternidade ou emprego, uma razão de feliz compensação por todos os lapsos e falhas.

E eles são bem-vindos, e eles estão entre nós e o seu… escapismo é o nosso escapismo. Isto tudo por causa da maravilha do escapismo do vencedor do Fantasporto deste ano, El Labirinto Del Fauno… é impossível não ser apanhado na dimensão da fuga conhecida, rival ao nível de estradas de tijolo amarelo e da boa tradição daquele matemático que preferia a companhia de crianças a adultos e nas suas fugas deu à Alice maravilhas. O escapismo vive e é celebrado todos os dias.

Toda a gente fantasia. A nossa cabeça não tem de aceitar, bem longe disso está para fazer. Se recusa aceitar, ainda mais recusa em de tudo gostar. Apesar dos nossos caprichos individuais, eles cada vez importam menos. A nossa sociedade cada vez pede mais e cada vez menos dá. Euro, libra, dólar e iene podem ter altos e baixos, mas se há moeda sempre a desvalorizar, é a com que se compra a nossa felicidade pessoal, intrínseca.

Vamos admitir… parece que a felicidade se tornou obsoleta. É um sentimento comum, face a ele, quem pode resistir a quem não querer fugir? Seja a ocasional fantasia ou mais louco devaneio que nos ocorre no dia-a-dia, umas férias ou um mais arrojado “comportamento alternativo”? Bem, escapismo seja saudável. Desde que ninguém tenha uma regressão infantil, outros problemas psicológicos mais graves, ou se acabe por destruir. É uma ferramenta da nossa psique, do nosso eu e da nossa personalidade.
Nós vivemos cada dia com a esperança de a cada dia fugir. Com mais ou menos sucesso, vamos andando nessa fuga e perdendo ou ganhando algo. O mundo moderno nem sequer tenta lutar, embrenha-se no escapismo e convida todos nós a usá-lo. Ele está lá, ele chama-nos. Mergulhem nas piscinas dele, dizem eles. Seja num livro, num filme ou série, num sonho ou na letra daquela música. Vocês sabem. Daquela.

O escapismo vive.

O escapismo somos.

6 Março, 2007 Publicado por Ludovico M. Alves | Ars Scientia, Comportamentos, Sociedade, Tendências | | 1 Comentário

Ó espartana paixão! Ó ateniense liberdade!

Nada explica genética clássica como atirar bebés de precipícios. Bem, funcionava com trigo e gado, porque não fazer o mesmo às pessoas? Escolher os melhores e forçar um pouco a selecção. Ideia tão boa! Porque não fazer o mesmo com a nossa prole.

Porque não?

Porque é uma posição difícil. Nem preciso de contar as razões contra… Mesmo assim, eugenia sempre existiu de alguma forma. A clássica cidade-estado é um exemplo, apenas um dos muitos casos que a história nos agraciou com. Mas e eugenia de ideias?

O cultivar de bons memes? A selecção de boas sementes.

Nem preciso de comentar o quão exacerbado é equiparar o descartar de uma ideia com infanticídio… Mas se pensarmos numa ideia como um ser próprio e consciente, com o estatuto humano, talvez seja mais fácil compreender, filtrar e finalmente conseguir lidar com ela.

E mais precisamente, com a nossa cabeça.

Comecei mal com bebés, vou desenvolver de uma maneira ainda pior, focando-me a um precedente do nascimento. Uma ideia tem um estágio anterior onde não é nem má, nem boa ideia. O infante também tem um análogo vagamente parecido, nada mais nada menos do que a concepção do mesmo.

Sim, estou a dizer que ter uma ideia começa como ter sexo. Calma, antes que comecem a julgar o ridículo da comparação, deixem-me prosseguir. Nenhuma ideia é má à partida, está cheia de potencial para crescer e evoluir. O sexo também. Nenhuma ideia sobrevive intacta ao contacto com a realidade e o mundo. No outro lado da comparação, há todo um jogo de expectativas quebradas e confronto de ideias com parceiro. Uma ideia viável ou não tende sempre a florescer do trabalho em conjunto e, da discussão e comparação; assim como está condenada a morrer infértil se ficar fechada sobre si mesmo. Assim como no sexo, se um se concentra somente no seu prazer, dificilmente se pode chamar ao acto mais do que masturbação assistida.

Podia continuar nos aspectos mais directos da comparação, mas penso que já transmiti a imagem. Contudo, tal como existem várias motivações para o sexo, também as ideias têm as suas forças de sustentação.

As melhores ideias, tal como o melhor sexo, apoia-se em amor. Elas são acariciadas, dadas especial atenção e até conseguimos fechar os olhos e ignorar algumas lacunas que não perdoaríamos noutra par… ideia. Infelizmente, tal como não se controla a espontaneidade do amor, também não se controla a das ideias. Há quem pratique e pratique, tentando conseguir tirar e dar maior prazer delas. Mas há momentos em que mesmo assim nada surge e há pressão, há que sair algo. Há quem o trabalho seja deitar-se com ideias. Há quem paga por ideias. As ideias têm pura e simplesmente que aparecer. A analogia sexual ainda mais horrível é: há que pura e simplesmente violar a musa.

Depois da fase mais leve e instantânea da ideia, ela tem que amadurecer. Algumas são espontâneas até no crescimento, outras são trabalhosas e ainda há aquelas que nem nove meses chegam para as gerar. Eventualmente a dita ideia atinge a massa crítica do nascimento.

Ficamos assim com os frutos da nossa paixão e do nosso trabalho nas mãos. E há que ver se é rosadinho e saudável ou de um enfermo cinza, decidir se continuamos a criar a ideia ou se deitamos esse bebé ao precipício. O que se decide. O que vocês decidem?

Infelizmente ou felizmente eu não consigo fazê-lo. Sei que há que ser selectivo, sei que é preciso abater as ideias mais fracas, mas nunca consigo atirá-las do metafórico precipício. São umas crianças difíceis que me custa sustentar, mas são as minhas crianças. Espero que um dia algumas delas sejam o meu legado e que sejam um bom legado.

E como são vocês? Como lidam com as vossas ideias? Nutrem-lhes carinho? Como é a relação entre vocês e a prole? Nunca se sentiram tentados a abortar, receando o trabalho acarretado por uma ideia? Como gostariam vocês que fosse a vossa ideia ideal?

1 Março, 2007 Publicado por Ludovico M. Alves | Ars Scientia, Artes, Comportamentos, Humanidades, Sociedade, Tendências | | 3 Comentários

Eu gosto da minha cultura como os meus genes, ou seja…

… fatiada. Qualquer frequentador habitual do Ars já me deve ter ouvido – ou mais correctamente, lido – a falar de engenharia genética. e de transportadores retrovirais. Mas para não obrigar-vos a mergulhar em um ano de velha história para resgatar tão simples informação, aqui apresento a ideia onde me suporto. Um transportador retroviral é um vírus “treinado”, o seu código genético recombinado para um novo objectivo. Que é introduzido e copiada, realizando a tal engenharia.
Isto é engenharia genética.
E a engenharia cultural? Ninguém nega que é feita de palavras. Mesmo subentendidas em imagens, as palavras continuam a ser como pixéis num monitor. Isoladas, não têm sentido. Mas estão lá.
E se as palavras forem vírus? Que nos contaminam com algo, que nos faz florescer em ideias. Mas falta algo… tal como o vírus contêm o código genético com genes modificados, as palavras têm de ser algo mais do que palavras. Têm que ser transportadores de memes.
Memes, o equivalente dos genes para um meio cultural, a parcela originária e indivisível – poderia até chamar-lhe atómica – de uma ideia. Sabem aquele jingle que não vos sai da cabeça? Aquele je-ne-sais-quo que vos inspira algo? Pois, isso é um meme. Numa cultura como a nossa, somos bombardeados por milhares de memes. Eles são o facto que separa a aprendizagem e o desenvolvimento da mera imitação. Macaco vê, macaco faz. Meme é estranho, mas meme causa um complexo mental próprio. Meme faz o macaco ver, faz o macaco fazer. Mas também faz macaco não fazer.
Faz macaco ter opinião sobre o que é feito.
Tal como cuidados no nosso código genético, talvez devamos começar a cuidar no nosso código cultural. Tal como a evolução favorece alguns genes, as nossas sociedades são sujeitas a tremores e meteoros que favorecem uns memes. Basta ver tudo o que passamos a rejeitar em duzentos anos.
Tudo não é assim tão diferente. O nosso interior, o nosso exterior, a nossa mente, o nosso corpo, tudo isto se move com uma sinergia vicariante única, afectando-se mutuamente numa selecção de objectivos desconhecidos. Nós podemos construirmo-nos diariamente, não sendo por genes, sendo por memes. E cada bocadinho, cada mudança podemos ter a esperança que é numa direcção.
E podemos continuar a desejar que seja a certa.

27 Janeiro, 2007 Publicado por Ludovico M. Alves | Ars Scientia, Ciência, Comportamentos, Humanidades, Sociedade, Tendências | | 2 Comentários

“Não existe boa ou má ciência”

Isto disse um famoso cientista, uma famosa abanadela às exigências económicas e políticas da sociedade moderna…

Ah, Aaron Ciechanover… Prémio Nobrel da Química em 2004 e bem merecido. A descoberta que levou à atribuição do prémio foi o mecanismo de degradação de proteínas através da ubiquinina. Não entrando em detalhes e não assustando logo as pessoas no início do artigo, traduzo a ideia. Em imunologia, era difícil compreender exactamente como eram apresentadas as protéinas soltadas por um corpo estranho. Através do mecanismo da ubiquinina, é possível explicar todo esse processo. Maior compreensão desse processo é um pilar da imunologia moderna, pois serve de arma para o estudo de novos medicamentos capazes de despoletar uma resposta.

Pronto, era essa a ideia. Mas este homem, este grande cientista israelita, teve recentemente entre nós. Mais exactamente, no Porto, a convite da Calouste Gulbenkian. As suas palavras denotam um sentimento de angústia com a hesitação das correntes políticas em incentivar a ciência. Nomeadamente, a forma como os governos e companhias procuram apenas ciência aplicada, investigação com fins imediata e directamente práticos. Ou melhor, na linguagem moderna, investigação = lucros. Mas uma casa não se pode construir com tijolos em cima de palha. E como tal, refere muito bem Ciechanover, não se pode saltar-se para prático algo que não foi investigado. E uma investigação numa fase inicial nunca pode lançar boas luzes sobre aplicações práticas.

Se tal acontece, é uma investigação que falha à partida.

Ciência é uma casa. Tal como a cultura, tal como a literatura, não há lugar para carros à frente dos bois ou outras metáforas análogas. Assim como isso, não há lugar para cultura e literatura “mercenária” ou “clonada”, não há lugar para ciência “mercenária”. Ou pelo menos não deveria haver. Há, há. Mas muitas vezes acaba por empatar os avanços do que os favorecer.

26 Janeiro, 2007 Publicado por Ludovico M. Alves | Ars Scientia, Ciência, Notícias, Sociedade, Tendências | | 6 Comentários

Programa Fantasporto

Finalmente saiu o programa final do Fantas! Ora vejam bem isto…

Pessoalmente, estou interessado naqueles dois que já referi. O Expresso do Oriente (nome dado ao conjunto de trabalhos asiáticos presentes no festival, não tem nada a ver com Agatha Christie nem com o filme do Lumet) tem proposta muito interessante. Sempre quis ver algo do Satoshi Kon e já que o Paprika está na lista, acho que vale a pena o seu visionamento. É um anime estranho, no mínimo, mas bastante original e com boas aprovações mundo fora. Ainda na animação, estou particularmente inclinado para o francês Renaissance. De novo, volto ao Expresso do Oriente, que este ano é uma oportunidade única de conhecer realizadores pouco convencionais e raros por estes lados. The Host promete bastante, embora talvez um pouco série-B, Joon-Ho parece conseguir ser original. Mas o que eu quero mesmo do oriente é o The Promise. Aparentemente o filme não está outra coisa a não ser mágico…
Enfim… só coisas interessantes.
Vejam por vós mesmos…

CINEMA FANTÁSTICO

AUSENTES de Daniel Calparsoro (Esp/Spa)
EL LABERINTO DEL FAUNO de Guillermo del Toro (Mex – Esp – EUA/Mex – Spa – USA) LUSOMUNDO
HISTORIAS DEL DESENCANTO de Alejandro Valle (Mex)
ISOLATION de Billy O’Brien (GB – Ire/UK – Ire)
JADE WARRIOR de Antti-Jussi Annila (Fin – Hol – Est – Chi/Fin – Neth – Est – Chi)
LA HORA FRIA de Elio Quiroga (Esp/Spa)
PAPRIKA de Satoshi Kon (Jap)
RE-CYCLE de Danny & Oxide Pang (Tai – Hong Kong – Chi/Thai – Hong Kong – Chi)
RENAISSANCE de Christian Volkman (Fra – GB – Lux/Fra – UK – Lux)
SEVERANCE de Christopher Smith (GR/UK) – LUSOMUNDO
SILENT HILL de Christophe Gans (Can – Jap – USA – Fra/Can – Jap – EUA – Fra) – NLC
SLITHER de James Gunn (Can – EUA/Can – USA)
TAXIDERMIA de Gyorgy Pálfi (Hun – Aus – Fra) – LUSOMUNDO
THE BEAUTIFUL BEAST de Karim Hussain (Can)
THE BOTHERSOME MAN de Jens Lien (Nor)
THE HORROR BUS de Pieter Kuipjers (Hol/Neth)
THE HOST de Bong Joon-Ho (Cor Sul/South Kor) – NOTRO
THE LIVING AND THE DEAD de Simon Rumley (GB/UK)
THE PROMISE de Chen Kaigé (Chi – HK – Jap – Cor Sul/ Chi – HK – Jap – South Kor) – NLC
THE WOODS de Lucky McKee (EUA/USA)

CURTAS METRAGENS CINEMA FANTÁSTICO

FINKLE’S ODYSSEY de Barney Clay (GB/UK)
HAPPY BIRTHDAY 2 YOU de David Alcalde (Esp/Spa)
O JARDIM DAS DELÍCIAS DA QUÍMICA de Jorge Sá (Por)
RABBIT de Run Wrake (GB/UK)
THE DESCENDENT de Bobby Glickert (EUA/USA)
THE FAERIES OF BLACKHEAT WOODS de Ciaran Foy (Irl/Ire)
THE HANDYMAN de Simon Rumley (GB/UK)
THE LISTENING DEAD de Phil Mucci (EUA/USA)
THE SHADOW WITHIN de Silvana Zancolò (Ita)
VILLAINS de Tom Cosgrove (Irl/Ire)

MÉLIÈS DE PRATA

AUSENTES de Daniel Calparsoro (Esp/Spa)
JADE WARRIOR de Antti-Jussi Annila (Fin – Hol – Est – Chi/Fin – Neth – Est – Chi)
LA HORA FRIA de Elio Quiroga (Esp/Spa)
RENAISSANCE de Christian Volkman (Fra – GB – Lux/Fra – UK – Lux)
SEVERANCE de Christopher Smith (GR/UK)
TAXIDERMIA de Gyorgy Pálfi (Hun – Aus – Fra)
THE HORROR BUS de Pieter Kuipjers (Hol/Neth)
THE LIVING AND THE DEAD de Simon Rumley (GB/UK)

MÉLIÈS DE PRATA (CURTAS METRAGENS CINEMA FANTÁSTICO)

FINKLE’S ODYSSEY de Barney Clay (GB/UK)
HAPPY BIRTHDAY 2 YOU de David Alcalde (Esp/Spa)
O JARDIM DAS DELÍCIAS DA QUÍMICA de Jorge Sá (Por)
RABBIT de Run Wrake (GB/UK)
THE HANDYMAN de Simon Rumley (GB/UK)
THE SHADOW WITHIN de Silvana Zancolò (Ita)
VILLAINS de Tom Cosgrove (Irl/Ire)

SEMANA DOS REALIZADORES

12:08: EAST OF BUCHAREST de Corneliu Porumboiu (Rom)
BATTLE IN HEAVEN de Carlos Reygadas (Mex – Ale – Hol – Esp/Mex – Ger – Neth – Spa)
EL MÉTODO de Marcelo Piñeyro (Esp – Arg – Ita/Spa – Arg – Ita)
FLORIPES de Miguel Gonçalves Mendes (Por)
ISABELLA de Ho Cheung Pang (Hong Kong – Chi)
KOMMA de Martine Doyen (Bel – Fra)
MAY GOD BLESS AMERICA de Robert Morin (Can)
PURE HEARTS de Kenneth Kainz (Din/Den)
REQUIEM de Hans-Christian Schmid (Ale/Ger)
SKETCHES OF FRANK GEHRY de Sydney Pollack (Ale – EUA/Ger – USA)
SUICÍDIO ENCOMENDADO de Artur Serra Araújo (Por) – FBF FILMES
TEBAS de Rodrigo Areias (Por)
TIME de Kim Ki-Duk (Cor Sul/South Kor)
THE RED COCKATOO de Dominik Graf (Ale/Ger)
THE SECRET LIFE OF HAPPY PEOPLE de Stéphane Lapointe (Can)
UN FRANCO, 14 PESETAS de Carlos Iglesias (Esp/Spa)

ORIENT EXPRESS

ISABELLA de Ho Cheung Pang (Hong Kong – Chi)
LOVE PHOBIA de Kang Ji-Eun (Cor Sul/South Kor)
PAPRIKA de Satoshi Kon (Jap)
RE-CYCLE de Danny & Oxide Pang (Tai – Hong Kong – Chi/Thai – Hong Kong – Chi)
THE HOST de Bong Joon-Ho (Cor Sul/South Kor) – NOTRO do Adolfo Blanco Lucas
THE PROMISE de Chen Kaigé (Chi – HK – Jap – Cor Sul/ Chi – HK – Jap – South Kor)
TIME de Kim Ki-Duk (Cor Sul/South Kor)
TO SIR WITH, LOVE de Lim Dae-woong (Cor Sul/South Kor)
WICKED FLOWERS de Torico (Jap)

PREMIÈRE & PANORAMA

AACHI AND SSIPAK de Joe Burn-jin (Cor Sul/Sout Kor)
BLOOD TRAILS de Robert Krause (Ale/Ger) – LUSOMUNDO
BLADERUNNER de Ridley Scott (EUA/USA)
CYXORK7 de John Huff (EUA/USA)
ECOS de Oriol Paulo (Esp/Spa)
ET – O EXTREATERRESTRE de Steven Spielberg (EUA/USA)
GHOST RIDER de Mark Steven Johnson (EUA/USA) – COLUMBIA TRI STAR
HANA de Hirokazu Koreeda (Jap) – NOTRO FILMS
HAZE de Shynia Tsukamoto (Jap)
LE LIVRE DES MORTS DE BELLEVILLE de Jean-Jacques Joudiau (Fra)
OCULTO de Antonio Hernandez (Esp – Ita – GB/Spa – Ita – UK)
THE FOUNTAIN – O ÚLTIMO CAPÍTULO de Darren Aronofsky (EUA/USA) – CASTELLO LOPES
THE ROOM de Giles Daoust (Bel) – LUSOMUNDO
THE CLOUD de Georg Schnitzler (Ale/Ger)- COSTA DO CASTELO
PRÓXIMA de Carlos Atanes (Esp/Spain)

PANORAMA DO CINEMA PORTUGUÊS

Longas metragens (Competição)

SUICÍDIO ENCOMENDADO de Artur Serra Araújo (Por) – FBF FILMES
FLORIPES de Miguel Gonçalves Mendes (Por)
TEBAS de Rodrigo Areias (Por)

(Fora de Competição)

OLHAR O CINEMA PORTUGUÊS de Manuel Mozos – 55 min (betacam digital)

Curtas Metragens (Competição)

O JARDIM DAS DELÍCIAS DA QUÍMICA de Jorge Sá (Por)

(Fora de Competição)

1 MOTIVO de Nuno Tudela
30×1.01 de Lia, Pedro Tudela e Miguel Carvalhais (ACM) – betacam
836 de Pedro Calado (ETIC)
A CULPA de Irina Calado e Carlos Fernandes (CA)
A DAMA DA LAPA de Joana Toste (CA)
A NOIVA do Gigante de Nuno Amorim (CA)
A RELIGIOSA de Clídio Nóbio (AVANCA)
AO FUNDO DO TÚNEL de João Pupo (ACM) – 35mm
CÂNTICO DAS CRIATURAS de Miguel Gomes (ACM) – 35mm
CEMETRY POLKA de Rafael Gonçalves, Miguel Marinheiro
ELOPE de Luis Bernardo Pinto Loureiro-
ESPERÂNSIA de Cláudio Jordão (AVANCA)
ESTRATÉGIAS para uma Vida de Miguel Gorjão Cunha (ACM) – betacam
GRAVAdor de José Alberto Pinheiro- betacam SP
HISTÓRIA TRÁGICA COM FINAL FELIZ de Regina Pessoa (CA)
HISTÓRIAS DE MOLERO de Afonso Criz (CA)
INQUÉRITO PRIVADO de Henrique Bento
LUCKY PRIME de André Rodrigues e Fernando Alle (ETIC)
MENU de Joana Toste (CA)
MIGUEL de Tiago Augusto (ETIC)
TIA LINNEA E O MUNDO – MOSTER LINNEA OCH VARDEN de Solveig Nordlung (ACM) – betacam
O BEIJO de Solveig Nordlung (ACM) – betacam
O TURNO DA NOITE de Carlos Fernandes (CA)
PERCEPÇÃO LÍQUIDA de Tiago Veloso Dias
PERÍMETRO de Miguel Seabra Lopes (ACM) 35mm
PROPOSTA de Pedro Florêncio e Miguel Plantier (ETIC)
QUATRO ELEMENTOS de Janek Pfeifer (AVANCA)
RAPACE de João Nicolau (ACM) – 35mm
REMEMBER MY DREAM de João Costa Menezes
SEM DÚVIDA AMANHÃ de Pedro Brito (CA)
SERÃO de Joana Toste (CA)
STUART de Zepe (CA)
X2 de Cláudio Rocha (ETIC)

MADRID EM CURTAS

BANAL de David Planell (Esp/Spa)
BOLETOS POR FAVOR de Lucas Figueroa (Esp/Spa)
EN EL HOYO de David Martin de los Santos (Esp/Spa)
FROZEN SOULS de Juana Macías (Esp/Spa)
HUELLAS EN LA NIEVE de Pedro Touceda (Esp/Spa)
JOE K de Oscar de Julian (Esp/Spa)

RETROSPECTIVA MARIN KARMITZ

AU REVOIR, LES ENFANTS de Louis Malle (Fra)
CODE INCONNU de Michael Hanneke (Fra – Ale – Rom/Fra – Ger – Rom)
MOURIR À 30 ANS de Romain Goupil (Fra)
PROFUNDO CARMESÍ de Arturo Ripstein (Mex – Fra – Esp/Mex – Fra – Spa)
SAUVE QUI PEUT de Jean-Luc Godard (Fra)
SEPT JOURS AILLEURS de Marin Karmitz (Fra)
TROIS COULEURS: BLANC de Krzysztof Kieslowski (Pol – Fra – Sui/Pol – Fra – Swi)
TROIS COULEURS: BLEU de Krzysztof Kieslowski (Pol – Fra – Sui/Pol – Fra – Swi)
TROIS COULEURS: ROUGE de Krzysztof Kieslowski (Pol – Fra – Sui/Pol – Fra – Swi)
VIVA PORTUGAL! de Christiane Gerhards, Serge July, Malte Rauch, Samuel Schirmbeck (Fra)

RETROSPECTIVA CINEMA RUSSO MOSFILM

AGONIA de Elem Klimov (1981)
ANDREI RUBLEV de Andrei Tarkovski (1969)
DAY OF THE FULL MOON de Karen Shakhnazarov (1998)
SADKO de Aleksandr Ptushko (1953)
THE ASCENT de Edmond Keosayan (1988)
THE MIRROR De Andrei Tarkovski (1975)
VIY de Georgi Kropacyov E Konstantin Yershov (1967)
ZERO CITY de Karen Shakhnazarov (1988)

RETROSPECTIVA CINEMA GREGO

THE FOUR SEASONS of the Law de Dimos Avdeliodis
THE ONLY JOURNEY OF HIS LIFE de Lakis Papastathis
FROM THE EDGE OF THE CITY de Constantinos Yannaris
THE LITTLE DOLPHINS de Dinos Demopoulos
TOTALLY MARRIED de Dimitris Demopoulos
HARDCORE de Denis Iliadis
I AM TIRED OF KILLING YOUR LOVERS de Nikos Panayotopoulos

CURTAS

LISTEN de Katerina Filiotou
THE DRESS de Monica Vaxevani
NO MORE LOVE STORIES de Stratoula Theodoratou
THE HAWKER de Panayotis Fafoutis

RETROSPECTIVA SUPER-HERÓIS

BATMAN BEGINS, BATMAN – O INÍCIO de Christopher Nolan (EUA/USA)
BLADE de Stephen Norrigton (EUA/USA)
CATWOMAN de Pitof (EUA/USA)
CONSTANTINE de Francis Lawrence (EUA – Ale/USA – Ger)
DAREDEVIL, O HOMEM DEMOLIDOR de Mark Steven Johnson (EUA/USA)
ELEKTRA de Rob Bowman (EUA/USA)
FANTASTIC FOUR, QUARTETO FANTÁSTICO de Tim Story (EUA – Ale/USA – Ger)
HELLBOY de Guillermo del Toro
LEAGUE OF EXTRAORDINARY GENTLEMEN, LIGA DE CAVALHEIROS EXTRAORDINÁRIOS de Stephen Norrigton (EUA – Ale – Rep Che – GB/USA – Ger – Cze Rep – UK)
SIN CITY, SIN CITY – A CIDADE DO PECADO de Frank Miller, Robert Rodriguez, Quentin Tarantino (EUA/USA)
SPIDER-MAN, O HOMEM ARANHA de Sam Raimi (EUA/USA)
SUPERMAN RETURNS, SUPER-HOMEM – O REGRESSO de Bryan Singer (EUA – Aus/USA – Aus)
THE INCREDIBLES: OS SUPER HERÓIs de Brad Bird (EUA/USA)
THE PUNISHER, PUNISHER – O VINGADOr de Jonathan Hensleigh (EUA – Ale/USA – Ger)
V FOR VENDETTA, V DE VINGANÇA de James Mcteigue (EUA – GB – Ale/USA – UK – Ger)
X-MEN de Bryan Singer (EUA/USA)

RETROSPECTIVA KIM KI DUK VS SHYNIA TSUKAMOTO

A SNAKE OF JUNE de Shynia Tsukamoto (Jap)
ADDRESS UNKNOWN de Kim Ki duk (Cor Sul/South Kor)
BAD GUY de Kim ki Duk (Cor Sul/South Kor)
TETUO 2 de Shynia Tsukamoto (Jap)
TETSUO 1 de Shynia Tsukamoto (Jap)
THE BOW de Kim Ki Duk (Cor Sul/South Kor)
THE ISLE de Kim Ki Duk (Cor Sul/South Kor)
VITAL de Shynia Tsukamoto (Jap)

PLYMPTOONS – RETROSPECTIVA BILL PLYMPTON

A TRUNFA
THE TUNE
I MARRIED A STRANGE PERSON
MUTANT ALIENS

Curtas

SELF PORTRAIT
THE TURN ON
LUCAS, THE EAR OF THE CORN
BOOMTOWN
DRAWING LESSON #2
YOUR FACE
LOVE IN THE FAST LANE
ONE OF THOSE DAYS
HOW TO KISS
25 WAYS TO QUIT SMOKING
245 DAYS
NOODLE EAR
HUMAN RIGHTS
ENVIROMENTAL: ACID RAIN
TRIVIAL PURSUIT
SUGAR DELIGHT
SUGAR DELIGHT 2
PREVIOUS LIVES
PREVIOUS LIVES 2
PLYMTOONS
DRAW
FADED ROADS
HOW TO MAKE LOVE
NOSE HAIR
ONE OF THOSE DAYS
PUSH COMES TO SHOVE
SMELL THE ROSES
DIG MY DO
LOVESICK HOTEL
DANCING ALL DAY
ISN’T GOOD AGAIN
NO NOSE BLUES
FLOOBY NOOBY
TANGO SCHMANGO
PARKING
EAT
CAN’T DRAG RACING WITH JESUS
THE WISEMAN
EXCITING TREE
SURPRISE CINEMA
SEX AND VIOLENCE
MORE SEX AND VIOLENCE

MANU GOMEZ, as curtas metragens

9 MOIS + TARD
IN VINO VERITAS
INVIDIA
IRA
IRA-DIATION
KINEMARMOR
L’ENCARDRÉ
LA COLONIE PÉNITENTIAIRE
LA GOURMANDISE
LE PATIENT
LE PETIT ROUGE
LE VIEUX CHAPERON NOIR
LES TROIS PETITS POPOTINA
PHALLOCTÈRE
PRAHA
SANS TITRE
SUPERBIA
TEMPOLIS
UBU
V.I.F.
VOYER

P.S: Mas que raio de ideia foi essa de meter O Último Capítulo como título português do The Fountain?

22 Janeiro, 2007 Publicado por Ludovico M. Alves | Ars Scientia, Artes, Cinema, Fantasporto, Humanidades, Notícias, Prémios, Sociedade | | 3 Comentários

Pontos, Pontes e Culturas

Tem havido várias críticas às acções do nosso Presidente da República. Aparentemente há quem acredite que a sua viagem foi apenas um desgaste para as contas do país.
E eu pensava que a escolha de um Presidente com presença internacional era mesmo para reformular os laços e representar bem o país. Raios, porque sou eu tão inocente.
Ao menos todos os empresários que foram com ele voltaram com negócios. Não se pode dizer que todas as medidas de outros tenham garantido o mesmo.

Mas disperso-me. O que eu queria falar é sobre as pontes entre culturas e as últimas iniciativas com a Índia foram a dica perfeita. Riqueza é talhada nessas viagens, em todos os aspectos, desde os vulgares aos mais elaborados. As voltas que nós demos até chegar lá…

O bicho colectivo que é a humanidade evolui de encontros de culturas. Portugal e Índia têm ricas histórias paralelas e ao mesmo tempo perpendiculares… e por vezes divergentes. Pormenores. Mesmo contra fundos fracos, o Instituto Camões sempre inspirou gente a explorar e aprender a língua e cultura portuguesa. Na rica tapeçaria cultural que é Índia, o elo da curiosidade é mais forte que as limitações materiais.

Mas quando as coisas não dão com uma realidade hispânica… há sempre outra. Por isso o Instituto Cervantes tem igual ou maior sucesso na região.

Língua e cultura trocamos. No entanto, as possibilidades não param. A Índia e Portugal curiosamente partilham bastante das áreas industriais em quais nos temos grandes casos de sucesso. A indústria de alta tecnologia e investigação, como por exemplo, a biotecnologia, são fortes de ambas as nações. Uma nova ponte, uma nova fonte. A globalização não tem de ser a clonagem cultural que costumamos ver. A troca de ideias é impagável.

E se forem precisas mais viagens para isso… bem, o nosso país já pagou mais para percorrer o mesmo caminho.

19 Janeiro, 2007 Publicado por Ludovico M. Alves | Ars Scientia, Ciência, Comportamentos, Humanidades, Sociedade, Tendências | | 4 Comentários