Ars Scientia

Lá porque a perfeição é aborrecida, a compreensão é um mal necessário. Onde ciência, artes e letras convergem num estranho expoente.

Álcool, Drogas e Videojogos!

Existem momentos em que tenho vergonha da ciência.

Ou antes do que certas pessoas chamam “ciência”.

A razão deste post não é uma das eventuais e quase banais críticas que o método de entretenimento que está entre nós desde 80 e qualquer coisa sofre constantemente. Isso é tão vulgar como filmes que nós achamos bons levaram um carimbo de mau dos críticos profissionais. Não, o que me indigna é um chamado estudo científico.

Com o tema vícios e videojogos.

Bem, decerto que todos estão familiarizados com esse conceito. Mais algo de que eles são criticados. Mas lá está, a televisão também vicia. O trabalho – sim, por mais inacreditável que pareça, vicia – idem. Sexo também. E claro, comportamentos menos correctos viciam. Mas no fundo, qualquer tarefa sem moderação e uma dose de temperança vicia. Até levar porrada.

Mas outro estudo deste género seria recorrente, algo que já todos ouvimos. Mas o problema não está na capacidade viciante dos videojogos, mas sim no aumento da dependência de substâncias narcóticas.

Sim, leram bem. Esse dito estudo afirma que os videojogos induzem comportamentos alcoólicos e aumentam a probabilidade de um adolescente consumir drogas. E não é um caso de jogo X e Y, esses polémicos que por vezes explodem nas prateleiras das lojas.

Qualquer videojogo. Até os Teletubbies caça-fantasmas. Qualquer videojogo pode iniciar um adolescente no caminho da droga, tão perigoso como uma bebida “carregada” numa discoteca ou uma primeira amostragem de “crack”.

Certas coisas defendo, mas por favor amigos, sejam mais criativos e menos ridículos da próxima vez. Se os paizinhos alarmados têm vagar para arranjar bodes expiatórios para as quedas dos filhos, passavam melhor esse tempo levantando o rabo dos sofás e olhassem mais para os seus rebentos, se prestarem atenção ao potencial deles e não ao relato de domingo e às quintas e circos de abominações.

26 Junho, 2006 Publicado por Ludovico M. Alves | Ars Scientia, Ciência, Comportamentos, Sociedade | | 2 Comentários

A arte do futebol

Eu já disse várias vezes que não gosto de futebol. Não tenho nada contra o desporto em si, contudo, não consigo entender porque razão é que uma nação inteira para durante um dia por um jogo que eles próprios classificam como “pouco importante”.Nem quero imaginar como vai ser com as finais do mundial? Uma semana antes do jogo e outra depois?

Continuando, é impossível negar o estatuto do universo futebolístico de arte. Ao mesmo nível dos jogos de circo ou das execuções públicas e corridas do hipódromo, mas arte na mesma. Pão e Circo é uma medida de arte popular.

Defendendo a análise anterior, é fácil estudar a arte com que o futebol é vendido, a decoração que a sua básica premissa acarreta. Ora as suaves bandeiras que nos impingem mil e um produtos, não são ela arte, parte da cor de um jogo de futebol? Porra, até a vernaculidade da claque e dos jogadores castigados, a mais esbelta arte do insulto? E do murro? E da invasão de campo?

E os clássicos? As maravilhas em tela e película inspiradas pelo mui nobre e exaltado acto de chutar a bola? Futebol… arte. E que ninguém se atreva a questionar. Até as figuras, esses Adónis suados que compensam de boca fechada as graças que nas cabeças não lhes incidiram.

Repito, futebol é uma arte. A cultura de uma nação.
Que se lixe o Nobel da Literatura. Eu quero um Nobel do Futebol.

23 Junho, 2006 Publicado por Ludovico M. Alves | Ars Scientia, Comportamentos, Sociedade, Tendências | | 6 Comentários