Ars Scientia

Lá porque a perfeição é aborrecida, a compreensão é um mal necessário. Onde ciência, artes e letras convergem num estranho expoente.

Eu gosto da minha cultura como os meus genes, ou seja…

… fatiada. Qualquer frequentador habitual do Ars já me deve ter ouvido – ou mais correctamente, lido – a falar de engenharia genética. e de transportadores retrovirais. Mas para não obrigar-vos a mergulhar em um ano de velha história para resgatar tão simples informação, aqui apresento a ideia onde me suporto. Um transportador retroviral é um vírus “treinado”, o seu código genético recombinado para um novo objectivo. Que é introduzido e copiada, realizando a tal engenharia.
Isto é engenharia genética.
E a engenharia cultural? Ninguém nega que é feita de palavras. Mesmo subentendidas em imagens, as palavras continuam a ser como pixéis num monitor. Isoladas, não têm sentido. Mas estão lá.
E se as palavras forem vírus? Que nos contaminam com algo, que nos faz florescer em ideias. Mas falta algo… tal como o vírus contêm o código genético com genes modificados, as palavras têm de ser algo mais do que palavras. Têm que ser transportadores de memes.
Memes, o equivalente dos genes para um meio cultural, a parcela originária e indivisível – poderia até chamar-lhe atómica – de uma ideia. Sabem aquele jingle que não vos sai da cabeça? Aquele je-ne-sais-quo que vos inspira algo? Pois, isso é um meme. Numa cultura como a nossa, somos bombardeados por milhares de memes. Eles são o facto que separa a aprendizagem e o desenvolvimento da mera imitação. Macaco vê, macaco faz. Meme é estranho, mas meme causa um complexo mental próprio. Meme faz o macaco ver, faz o macaco fazer. Mas também faz macaco não fazer.
Faz macaco ter opinião sobre o que é feito.
Tal como cuidados no nosso código genético, talvez devamos começar a cuidar no nosso código cultural. Tal como a evolução favorece alguns genes, as nossas sociedades são sujeitas a tremores e meteoros que favorecem uns memes. Basta ver tudo o que passamos a rejeitar em duzentos anos.
Tudo não é assim tão diferente. O nosso interior, o nosso exterior, a nossa mente, o nosso corpo, tudo isto se move com uma sinergia vicariante única, afectando-se mutuamente numa selecção de objectivos desconhecidos. Nós podemos construirmo-nos diariamente, não sendo por genes, sendo por memes. E cada bocadinho, cada mudança podemos ter a esperança que é numa direcção.
E podemos continuar a desejar que seja a certa.

27 Janeiro, 2007 Publicado por Ludovico M. Alves | Ars Scientia, Ciência, Comportamentos, Humanidades, Sociedade, Tendências | | 2 Comentários

“Não existe boa ou má ciência”

Isto disse um famoso cientista, uma famosa abanadela às exigências económicas e políticas da sociedade moderna…

Ah, Aaron Ciechanover… Prémio Nobrel da Química em 2004 e bem merecido. A descoberta que levou à atribuição do prémio foi o mecanismo de degradação de proteínas através da ubiquinina. Não entrando em detalhes e não assustando logo as pessoas no início do artigo, traduzo a ideia. Em imunologia, era difícil compreender exactamente como eram apresentadas as protéinas soltadas por um corpo estranho. Através do mecanismo da ubiquinina, é possível explicar todo esse processo. Maior compreensão desse processo é um pilar da imunologia moderna, pois serve de arma para o estudo de novos medicamentos capazes de despoletar uma resposta.

Pronto, era essa a ideia. Mas este homem, este grande cientista israelita, teve recentemente entre nós. Mais exactamente, no Porto, a convite da Calouste Gulbenkian. As suas palavras denotam um sentimento de angústia com a hesitação das correntes políticas em incentivar a ciência. Nomeadamente, a forma como os governos e companhias procuram apenas ciência aplicada, investigação com fins imediata e directamente práticos. Ou melhor, na linguagem moderna, investigação = lucros. Mas uma casa não se pode construir com tijolos em cima de palha. E como tal, refere muito bem Ciechanover, não se pode saltar-se para prático algo que não foi investigado. E uma investigação numa fase inicial nunca pode lançar boas luzes sobre aplicações práticas.

Se tal acontece, é uma investigação que falha à partida.

Ciência é uma casa. Tal como a cultura, tal como a literatura, não há lugar para carros à frente dos bois ou outras metáforas análogas. Assim como isso, não há lugar para cultura e literatura “mercenária” ou “clonada”, não há lugar para ciência “mercenária”. Ou pelo menos não deveria haver. Há, há. Mas muitas vezes acaba por empatar os avanços do que os favorecer.

26 Janeiro, 2007 Publicado por Ludovico M. Alves | Ars Scientia, Ciência, Notícias, Sociedade, Tendências | | 6 Comentários

Programa Fantasporto

Finalmente saiu o programa final do Fantas! Ora vejam bem isto…

Pessoalmente, estou interessado naqueles dois que já referi. O Expresso do Oriente (nome dado ao conjunto de trabalhos asiáticos presentes no festival, não tem nada a ver com Agatha Christie nem com o filme do Lumet) tem proposta muito interessante. Sempre quis ver algo do Satoshi Kon e já que o Paprika está na lista, acho que vale a pena o seu visionamento. É um anime estranho, no mínimo, mas bastante original e com boas aprovações mundo fora. Ainda na animação, estou particularmente inclinado para o francês Renaissance. De novo, volto ao Expresso do Oriente, que este ano é uma oportunidade única de conhecer realizadores pouco convencionais e raros por estes lados. The Host promete bastante, embora talvez um pouco série-B, Joon-Ho parece conseguir ser original. Mas o que eu quero mesmo do oriente é o The Promise. Aparentemente o filme não está outra coisa a não ser mágico…
Enfim… só coisas interessantes.
Vejam por vós mesmos…

CINEMA FANTÁSTICO

AUSENTES de Daniel Calparsoro (Esp/Spa)
EL LABERINTO DEL FAUNO de Guillermo del Toro (Mex – Esp – EUA/Mex – Spa – USA) LUSOMUNDO
HISTORIAS DEL DESENCANTO de Alejandro Valle (Mex)
ISOLATION de Billy O’Brien (GB – Ire/UK – Ire)
JADE WARRIOR de Antti-Jussi Annila (Fin – Hol – Est – Chi/Fin – Neth – Est – Chi)
LA HORA FRIA de Elio Quiroga (Esp/Spa)
PAPRIKA de Satoshi Kon (Jap)
RE-CYCLE de Danny & Oxide Pang (Tai – Hong Kong – Chi/Thai – Hong Kong – Chi)
RENAISSANCE de Christian Volkman (Fra – GB – Lux/Fra – UK – Lux)
SEVERANCE de Christopher Smith (GR/UK) – LUSOMUNDO
SILENT HILL de Christophe Gans (Can – Jap – USA – Fra/Can – Jap – EUA – Fra) – NLC
SLITHER de James Gunn (Can – EUA/Can – USA)
TAXIDERMIA de Gyorgy Pálfi (Hun – Aus – Fra) – LUSOMUNDO
THE BEAUTIFUL BEAST de Karim Hussain (Can)
THE BOTHERSOME MAN de Jens Lien (Nor)
THE HORROR BUS de Pieter Kuipjers (Hol/Neth)
THE HOST de Bong Joon-Ho (Cor Sul/South Kor) – NOTRO
THE LIVING AND THE DEAD de Simon Rumley (GB/UK)
THE PROMISE de Chen Kaigé (Chi – HK – Jap – Cor Sul/ Chi – HK – Jap – South Kor) – NLC
THE WOODS de Lucky McKee (EUA/USA)

CURTAS METRAGENS CINEMA FANTÁSTICO

FINKLE’S ODYSSEY de Barney Clay (GB/UK)
HAPPY BIRTHDAY 2 YOU de David Alcalde (Esp/Spa)
O JARDIM DAS DELÍCIAS DA QUÍMICA de Jorge Sá (Por)
RABBIT de Run Wrake (GB/UK)
THE DESCENDENT de Bobby Glickert (EUA/USA)
THE FAERIES OF BLACKHEAT WOODS de Ciaran Foy (Irl/Ire)
THE HANDYMAN de Simon Rumley (GB/UK)
THE LISTENING DEAD de Phil Mucci (EUA/USA)
THE SHADOW WITHIN de Silvana Zancolò (Ita)
VILLAINS de Tom Cosgrove (Irl/Ire)

MÉLIÈS DE PRATA

AUSENTES de Daniel Calparsoro (Esp/Spa)
JADE WARRIOR de Antti-Jussi Annila (Fin – Hol – Est – Chi/Fin – Neth – Est – Chi)
LA HORA FRIA de Elio Quiroga (Esp/Spa)
RENAISSANCE de Christian Volkman (Fra – GB – Lux/Fra – UK – Lux)
SEVERANCE de Christopher Smith (GR/UK)
TAXIDERMIA de Gyorgy Pálfi (Hun – Aus – Fra)
THE HORROR BUS de Pieter Kuipjers (Hol/Neth)
THE LIVING AND THE DEAD de Simon Rumley (GB/UK)

MÉLIÈS DE PRATA (CURTAS METRAGENS CINEMA FANTÁSTICO)

FINKLE’S ODYSSEY de Barney Clay (GB/UK)
HAPPY BIRTHDAY 2 YOU de David Alcalde (Esp/Spa)
O JARDIM DAS DELÍCIAS DA QUÍMICA de Jorge Sá (Por)
RABBIT de Run Wrake (GB/UK)
THE HANDYMAN de Simon Rumley (GB/UK)
THE SHADOW WITHIN de Silvana Zancolò (Ita)
VILLAINS de Tom Cosgrove (Irl/Ire)

SEMANA DOS REALIZADORES

12:08: EAST OF BUCHAREST de Corneliu Porumboiu (Rom)
BATTLE IN HEAVEN de Carlos Reygadas (Mex – Ale – Hol – Esp/Mex – Ger – Neth – Spa)
EL MÉTODO de Marcelo Piñeyro (Esp – Arg – Ita/Spa – Arg – Ita)
FLORIPES de Miguel Gonçalves Mendes (Por)
ISABELLA de Ho Cheung Pang (Hong Kong – Chi)
KOMMA de Martine Doyen (Bel – Fra)
MAY GOD BLESS AMERICA de Robert Morin (Can)
PURE HEARTS de Kenneth Kainz (Din/Den)
REQUIEM de Hans-Christian Schmid (Ale/Ger)
SKETCHES OF FRANK GEHRY de Sydney Pollack (Ale – EUA/Ger – USA)
SUICÍDIO ENCOMENDADO de Artur Serra Araújo (Por) – FBF FILMES
TEBAS de Rodrigo Areias (Por)
TIME de Kim Ki-Duk (Cor Sul/South Kor)
THE RED COCKATOO de Dominik Graf (Ale/Ger)
THE SECRET LIFE OF HAPPY PEOPLE de Stéphane Lapointe (Can)
UN FRANCO, 14 PESETAS de Carlos Iglesias (Esp/Spa)

ORIENT EXPRESS

ISABELLA de Ho Cheung Pang (Hong Kong – Chi)
LOVE PHOBIA de Kang Ji-Eun (Cor Sul/South Kor)
PAPRIKA de Satoshi Kon (Jap)
RE-CYCLE de Danny & Oxide Pang (Tai – Hong Kong – Chi/Thai – Hong Kong – Chi)
THE HOST de Bong Joon-Ho (Cor Sul/South Kor) – NOTRO do Adolfo Blanco Lucas
THE PROMISE de Chen Kaigé (Chi – HK – Jap – Cor Sul/ Chi – HK – Jap – South Kor)
TIME de Kim Ki-Duk (Cor Sul/South Kor)
TO SIR WITH, LOVE de Lim Dae-woong (Cor Sul/South Kor)
WICKED FLOWERS de Torico (Jap)

PREMIÈRE & PANORAMA

AACHI AND SSIPAK de Joe Burn-jin (Cor Sul/Sout Kor)
BLOOD TRAILS de Robert Krause (Ale/Ger) – LUSOMUNDO
BLADERUNNER de Ridley Scott (EUA/USA)
CYXORK7 de John Huff (EUA/USA)
ECOS de Oriol Paulo (Esp/Spa)
ET – O EXTREATERRESTRE de Steven Spielberg (EUA/USA)
GHOST RIDER de Mark Steven Johnson (EUA/USA) – COLUMBIA TRI STAR
HANA de Hirokazu Koreeda (Jap) – NOTRO FILMS
HAZE de Shynia Tsukamoto (Jap)
LE LIVRE DES MORTS DE BELLEVILLE de Jean-Jacques Joudiau (Fra)
OCULTO de Antonio Hernandez (Esp – Ita – GB/Spa – Ita – UK)
THE FOUNTAIN – O ÚLTIMO CAPÍTULO de Darren Aronofsky (EUA/USA) – CASTELLO LOPES
THE ROOM de Giles Daoust (Bel) – LUSOMUNDO
THE CLOUD de Georg Schnitzler (Ale/Ger)- COSTA DO CASTELO
PRÓXIMA de Carlos Atanes (Esp/Spain)

PANORAMA DO CINEMA PORTUGUÊS

Longas metragens (Competição)

SUICÍDIO ENCOMENDADO de Artur Serra Araújo (Por) – FBF FILMES
FLORIPES de Miguel Gonçalves Mendes (Por)
TEBAS de Rodrigo Areias (Por)

(Fora de Competição)

OLHAR O CINEMA PORTUGUÊS de Manuel Mozos – 55 min (betacam digital)

Curtas Metragens (Competição)

O JARDIM DAS DELÍCIAS DA QUÍMICA de Jorge Sá (Por)

(Fora de Competição)

1 MOTIVO de Nuno Tudela
30×1.01 de Lia, Pedro Tudela e Miguel Carvalhais (ACM) – betacam
836 de Pedro Calado (ETIC)
A CULPA de Irina Calado e Carlos Fernandes (CA)
A DAMA DA LAPA de Joana Toste (CA)
A NOIVA do Gigante de Nuno Amorim (CA)
A RELIGIOSA de Clídio Nóbio (AVANCA)
AO FUNDO DO TÚNEL de João Pupo (ACM) – 35mm
CÂNTICO DAS CRIATURAS de Miguel Gomes (ACM) – 35mm
CEMETRY POLKA de Rafael Gonçalves, Miguel Marinheiro
ELOPE de Luis Bernardo Pinto Loureiro-
ESPERÂNSIA de Cláudio Jordão (AVANCA)
ESTRATÉGIAS para uma Vida de Miguel Gorjão Cunha (ACM) – betacam
GRAVAdor de José Alberto Pinheiro- betacam SP
HISTÓRIA TRÁGICA COM FINAL FELIZ de Regina Pessoa (CA)
HISTÓRIAS DE MOLERO de Afonso Criz (CA)
INQUÉRITO PRIVADO de Henrique Bento
LUCKY PRIME de André Rodrigues e Fernando Alle (ETIC)
MENU de Joana Toste (CA)
MIGUEL de Tiago Augusto (ETIC)
TIA LINNEA E O MUNDO – MOSTER LINNEA OCH VARDEN de Solveig Nordlung (ACM) – betacam
O BEIJO de Solveig Nordlung (ACM) – betacam
O TURNO DA NOITE de Carlos Fernandes (CA)
PERCEPÇÃO LÍQUIDA de Tiago Veloso Dias
PERÍMETRO de Miguel Seabra Lopes (ACM) 35mm
PROPOSTA de Pedro Florêncio e Miguel Plantier (ETIC)
QUATRO ELEMENTOS de Janek Pfeifer (AVANCA)
RAPACE de João Nicolau (ACM) – 35mm
REMEMBER MY DREAM de João Costa Menezes
SEM DÚVIDA AMANHÃ de Pedro Brito (CA)
SERÃO de Joana Toste (CA)
STUART de Zepe (CA)
X2 de Cláudio Rocha (ETIC)

MADRID EM CURTAS

BANAL de David Planell (Esp/Spa)
BOLETOS POR FAVOR de Lucas Figueroa (Esp/Spa)
EN EL HOYO de David Martin de los Santos (Esp/Spa)
FROZEN SOULS de Juana Macías (Esp/Spa)
HUELLAS EN LA NIEVE de Pedro Touceda (Esp/Spa)
JOE K de Oscar de Julian (Esp/Spa)

RETROSPECTIVA MARIN KARMITZ

AU REVOIR, LES ENFANTS de Louis Malle (Fra)
CODE INCONNU de Michael Hanneke (Fra – Ale – Rom/Fra – Ger – Rom)
MOURIR À 30 ANS de Romain Goupil (Fra)
PROFUNDO CARMESÍ de Arturo Ripstein (Mex – Fra – Esp/Mex – Fra – Spa)
SAUVE QUI PEUT de Jean-Luc Godard (Fra)
SEPT JOURS AILLEURS de Marin Karmitz (Fra)
TROIS COULEURS: BLANC de Krzysztof Kieslowski (Pol – Fra – Sui/Pol – Fra – Swi)
TROIS COULEURS: BLEU de Krzysztof Kieslowski (Pol – Fra – Sui/Pol – Fra – Swi)
TROIS COULEURS: ROUGE de Krzysztof Kieslowski (Pol – Fra – Sui/Pol – Fra – Swi)
VIVA PORTUGAL! de Christiane Gerhards, Serge July, Malte Rauch, Samuel Schirmbeck (Fra)

RETROSPECTIVA CINEMA RUSSO MOSFILM

AGONIA de Elem Klimov (1981)
ANDREI RUBLEV de Andrei Tarkovski (1969)
DAY OF THE FULL MOON de Karen Shakhnazarov (1998)
SADKO de Aleksandr Ptushko (1953)
THE ASCENT de Edmond Keosayan (1988)
THE MIRROR De Andrei Tarkovski (1975)
VIY de Georgi Kropacyov E Konstantin Yershov (1967)
ZERO CITY de Karen Shakhnazarov (1988)

RETROSPECTIVA CINEMA GREGO

THE FOUR SEASONS of the Law de Dimos Avdeliodis
THE ONLY JOURNEY OF HIS LIFE de Lakis Papastathis
FROM THE EDGE OF THE CITY de Constantinos Yannaris
THE LITTLE DOLPHINS de Dinos Demopoulos
TOTALLY MARRIED de Dimitris Demopoulos
HARDCORE de Denis Iliadis
I AM TIRED OF KILLING YOUR LOVERS de Nikos Panayotopoulos

CURTAS

LISTEN de Katerina Filiotou
THE DRESS de Monica Vaxevani
NO MORE LOVE STORIES de Stratoula Theodoratou
THE HAWKER de Panayotis Fafoutis

RETROSPECTIVA SUPER-HERÓIS

BATMAN BEGINS, BATMAN – O INÍCIO de Christopher Nolan (EUA/USA)
BLADE de Stephen Norrigton (EUA/USA)
CATWOMAN de Pitof (EUA/USA)
CONSTANTINE de Francis Lawrence (EUA – Ale/USA – Ger)
DAREDEVIL, O HOMEM DEMOLIDOR de Mark Steven Johnson (EUA/USA)
ELEKTRA de Rob Bowman (EUA/USA)
FANTASTIC FOUR, QUARTETO FANTÁSTICO de Tim Story (EUA – Ale/USA – Ger)
HELLBOY de Guillermo del Toro
LEAGUE OF EXTRAORDINARY GENTLEMEN, LIGA DE CAVALHEIROS EXTRAORDINÁRIOS de Stephen Norrigton (EUA – Ale – Rep Che – GB/USA – Ger – Cze Rep – UK)
SIN CITY, SIN CITY – A CIDADE DO PECADO de Frank Miller, Robert Rodriguez, Quentin Tarantino (EUA/USA)
SPIDER-MAN, O HOMEM ARANHA de Sam Raimi (EUA/USA)
SUPERMAN RETURNS, SUPER-HOMEM – O REGRESSO de Bryan Singer (EUA – Aus/USA – Aus)
THE INCREDIBLES: OS SUPER HERÓIs de Brad Bird (EUA/USA)
THE PUNISHER, PUNISHER – O VINGADOr de Jonathan Hensleigh (EUA – Ale/USA – Ger)
V FOR VENDETTA, V DE VINGANÇA de James Mcteigue (EUA – GB – Ale/USA – UK – Ger)
X-MEN de Bryan Singer (EUA/USA)

RETROSPECTIVA KIM KI DUK VS SHYNIA TSUKAMOTO

A SNAKE OF JUNE de Shynia Tsukamoto (Jap)
ADDRESS UNKNOWN de Kim Ki duk (Cor Sul/South Kor)
BAD GUY de Kim ki Duk (Cor Sul/South Kor)
TETUO 2 de Shynia Tsukamoto (Jap)
TETSUO 1 de Shynia Tsukamoto (Jap)
THE BOW de Kim Ki Duk (Cor Sul/South Kor)
THE ISLE de Kim Ki Duk (Cor Sul/South Kor)
VITAL de Shynia Tsukamoto (Jap)

PLYMPTOONS – RETROSPECTIVA BILL PLYMPTON

A TRUNFA
THE TUNE
I MARRIED A STRANGE PERSON
MUTANT ALIENS

Curtas

SELF PORTRAIT
THE TURN ON
LUCAS, THE EAR OF THE CORN
BOOMTOWN
DRAWING LESSON #2
YOUR FACE
LOVE IN THE FAST LANE
ONE OF THOSE DAYS
HOW TO KISS
25 WAYS TO QUIT SMOKING
245 DAYS
NOODLE EAR
HUMAN RIGHTS
ENVIROMENTAL: ACID RAIN
TRIVIAL PURSUIT
SUGAR DELIGHT
SUGAR DELIGHT 2
PREVIOUS LIVES
PREVIOUS LIVES 2
PLYMTOONS
DRAW
FADED ROADS
HOW TO MAKE LOVE
NOSE HAIR
ONE OF THOSE DAYS
PUSH COMES TO SHOVE
SMELL THE ROSES
DIG MY DO
LOVESICK HOTEL
DANCING ALL DAY
ISN’T GOOD AGAIN
NO NOSE BLUES
FLOOBY NOOBY
TANGO SCHMANGO
PARKING
EAT
CAN’T DRAG RACING WITH JESUS
THE WISEMAN
EXCITING TREE
SURPRISE CINEMA
SEX AND VIOLENCE
MORE SEX AND VIOLENCE

MANU GOMEZ, as curtas metragens

9 MOIS + TARD
IN VINO VERITAS
INVIDIA
IRA
IRA-DIATION
KINEMARMOR
L’ENCARDRÉ
LA COLONIE PÉNITENTIAIRE
LA GOURMANDISE
LE PATIENT
LE PETIT ROUGE
LE VIEUX CHAPERON NOIR
LES TROIS PETITS POPOTINA
PHALLOCTÈRE
PRAHA
SANS TITRE
SUPERBIA
TEMPOLIS
UBU
V.I.F.
VOYER

P.S: Mas que raio de ideia foi essa de meter O Último Capítulo como título português do The Fountain?

22 Janeiro, 2007 Publicado por Ludovico M. Alves | Ars Scientia, Artes, Cinema, Fantasporto, Humanidades, Notícias, Prémios, Sociedade | | 3 Comentários

Pontos, Pontes e Culturas

Tem havido várias críticas às acções do nosso Presidente da República. Aparentemente há quem acredite que a sua viagem foi apenas um desgaste para as contas do país.
E eu pensava que a escolha de um Presidente com presença internacional era mesmo para reformular os laços e representar bem o país. Raios, porque sou eu tão inocente.
Ao menos todos os empresários que foram com ele voltaram com negócios. Não se pode dizer que todas as medidas de outros tenham garantido o mesmo.

Mas disperso-me. O que eu queria falar é sobre as pontes entre culturas e as últimas iniciativas com a Índia foram a dica perfeita. Riqueza é talhada nessas viagens, em todos os aspectos, desde os vulgares aos mais elaborados. As voltas que nós demos até chegar lá…

O bicho colectivo que é a humanidade evolui de encontros de culturas. Portugal e Índia têm ricas histórias paralelas e ao mesmo tempo perpendiculares… e por vezes divergentes. Pormenores. Mesmo contra fundos fracos, o Instituto Camões sempre inspirou gente a explorar e aprender a língua e cultura portuguesa. Na rica tapeçaria cultural que é Índia, o elo da curiosidade é mais forte que as limitações materiais.

Mas quando as coisas não dão com uma realidade hispânica… há sempre outra. Por isso o Instituto Cervantes tem igual ou maior sucesso na região.

Língua e cultura trocamos. No entanto, as possibilidades não param. A Índia e Portugal curiosamente partilham bastante das áreas industriais em quais nos temos grandes casos de sucesso. A indústria de alta tecnologia e investigação, como por exemplo, a biotecnologia, são fortes de ambas as nações. Uma nova ponte, uma nova fonte. A globalização não tem de ser a clonagem cultural que costumamos ver. A troca de ideias é impagável.

E se forem precisas mais viagens para isso… bem, o nosso país já pagou mais para percorrer o mesmo caminho.

19 Janeiro, 2007 Publicado por Ludovico M. Alves | Ars Scientia, Ciência, Comportamentos, Humanidades, Sociedade, Tendências | | 4 Comentários

Chevrolet?

“test drive Chevrolet serra Sintra”
“novo motor Chevrolet”
“Chevrolet”
“preços Chevrolet”

Estes são apenas alguns dos resultados dos motores de busca que têm levado a este blogue. Chevrolet? É o suficiente para ficar no mínimo intrigado… Ao menos depois deste artigo os resultados passam a ser justificados.

Ou será que eles andam atrás de mim e descobriram que o meu carro é um Chevrolet? Hum? HUM!?

17 Janeiro, 2007 Publicado por Ludovico M. Alves | Ars Scientia, Humor | | Sem comentários ainda

Não tocar na Terra… Não ver o Sol – I

“Porque tinha o sacerdote de Aricia de matar o seu predecessor? E porque é que ao fazê-lo, teve de arrancar o Ramo Dourado? Das duas questões, a primeira é deixada por responder. O sacerdote de Aricia, se eu estou certo, era um desses reis sagrados ou divindades humanas das quais a sua vida, o bem-estar da comunidade e até o destino da natureza estão intimamente interligados.”

 Sir James George Frazer, in The Golden Bough

 

  

Assim começa um dos melhores capítulos da sua lendária obra, rematando para a grande questão que originou toda a discussão. No episódio da Eneida que serviu de despertar para o livro o sacerdote de Nemi é ritualmente assassino pelo seu sucessor.
Sir Frazer apresenta aí, quase no final do livro a explicação para tal acto, gozando de todo o clímax que foi montando ao longo da obra. Ao longo da citação inúmeras sociedades e culturas fizeram a tríplice associação apresentada na citação. Para essas civilizações, o pior mal que conseguiam conceber era a morte do seu líder por doença ou o desgaste da velhice, pois para os seus seguidores tal acontecimento seria o auspício de terríveis desgraças para todos aqueles que eram suportados pelos seus domínios. Terríveis epidemias reclamariam a vida de homens e animais, a terra deixaria de provir sustento, a própria… erm… natureza da natureza acabaria por ser destruída. O casamento entre rei e a terra já não se podia consumar, a eterna circulação de vitalidade fora substituída por fraqueza e morte.
Para isso o rei tinha de morrer.
Morrer ainda na posse da sua divina masculinidade, um acordo com a terra sua esposa e com a segurança dos homens e da natureza. Uma garantia que a eternidade iria ser de fertilidade e de juventude. Tal como existiria reincarnação do homem, existiria reincarnação da energia animadora.
E o que é um rei, senão uma divina humanidade, um elo de ascensão? Ele está entre Céu e Terra, e os tronos e palácios em que os colocamos lembram uma verdade essencial para toda esta mitologia.

Que o rei não deve tocar na Terra. O rei não deve ver o Sol.

A divindade humana sempre foi vista como uma propriedade física, uma propriedade “fluida”. Tal como a electricidade passa para um bom condutor, a divindade, essa “verdadeira realeza” passaria para o sucessor com igual intensidade. A Terra e o Sol, pontos de partida e definições dessa divindade, pontos de limitação e consumação, verdadeira ambrósia e sangue dos Deuses, não podiam tocá-lo.
Pois iriam roubá-la. Chamar para si o potencial.
Apagar esse refinamento do fogo de Prometeu.
Apagar a electricidade de Frazer.
A nossa electricidade.

Sim, porque nós somos uma sociedade eléctrica. Electricidade corre nos nossos Céus e na nossa Terra, mas desta vez é isolada por Ramos Dourados feitos de cobre e material isolante. Electricidade desce o comprimento de sinapses, libertando-a ambrósia sobre a forma de neutrotransmissores. Nós crescemos e recuperamos na base dessa nossa divindade interna, dessa divindade eléctrica.
A electricidade é o fogo do homem moderno.
Somos todos Reis do Bosque de Nemi. Somos todos um passo acima na ascensão. Somos mais fluidos do que os nossos limitados antepassados, mas de tal podemos conceber coisas mais terríveis para as consequências do nosso enfraquecimento. Extinção em massa. Colapso nuclear. Cicatrização da própria realidade.
E escolhemos não tocar na Terra… não olhar para o Sol.

Após apresentar esta ideia, espero desenvolvê-la no próximo artigo. Espero que vos tenha cativo e que deixem já algumas das vossas opiniões. Elas são bem mais importantes e úteis do que à primeira vista podem imaginar. O Ars não é nada sem vocês.

17 Janeiro, 2007 Publicado por Ludovico M. Alves | Ars Scientia, Artes, Comportamentos, Frazer, Humanidades, Literatura, Sociedade, Tendências | | 1 Comentário

Del Toro e Aronofsky abrem e encerram o Fantasporto deste ano!

É verdade, as minhas previsões estavam correctas…

Del Toro abrir o festival dia 23 de Fevereiro com El Laberinto del Fauno foi no entanto uma surpresa para mim. Uma boa surpresa, no entanto. Sempre quis ver o filme desde que ele esteve em Cannes. Del Toro é um homem com uma imaginação prodigiosa e eu simplesmente não consigo resistir isso num criador. Claro que não gosto de todo o portfolio dele (Blade II, estou a olhar para ti) e ele por vezes apresenta grandes lacunas em certas áreas… mas a imaginação nunca foi uma delas.

O meu Aronofsky…. voltou ao Fantas! Ainda me lembro da primeira vez que vi o Pi no festival, do momento em que me tornei um fã leal e dedicado. Demorou-me anos a entender o filme integralmente mas pronto, eu era jovem e ainda mais parvo na altura. Há meses que digo que o The Fountain iria ser apresentado no Fantas…

E parece que de facto vai ser, fechando o Festival no dia 3 de Março.

Mais notícias à medida que o cartaz for sendo descortinado.

16 Janeiro, 2007 Publicado por Ludovico M. Alves | Ars Scientia, Artes, Comportamentos, Notícias, Prémios | | 5 Comentários

Grandes Portugueses

Devo confessar que quando ouvi que a RTP ia realizar cá as mesmas votações que já tinham sido feitas mundo fora. Em muito com receio do que iria chegar à lista dos 10 mais. Mas vendo a lista, voltei a ganhar confiança no bom senso do nosso povo. Sinceramente vai ser uma coisa gira de votar e ver. Ainda mais interessante foi saber que cada figura nomeada para o Top 10 vai possuir um defensor público e um documentário para defender o seu estatuto de “grande.”

Isso promete, tendo em vista os nomes presentes.

Assim, um pouco de adiantamento, aqui no Ars fazemos uma pequena avaliação dos candidatos.

D. Afonso Henriques: Da maneira como a pergunta do programa está colocada, um sentido literal leva logo à escolha do nosso fundador. Afinal, quem mais fez mais por Portugal. O ponto é simples: sem ele não havia Portugal. Um favorito natural, foi um grande homem, duro e lutador, temido e respeitado até pelos inimigos. Um homem que conseguiu defender a sua rebeldia contra os outros poderes europeus, conquistar as graças da Igreja e das ordens e forjar um poderoso legado.

Álvaro Cunhal: Algum poder presente no 25 de Abril acabaria de ocupar um lugar nos 10 mais e ideologias políticas aparte, este objectivo acabou por ser cumprido por alguém merecedor. Entre os inúmeros dinossauros de 70 que foram candidatos, foi escolhido alguém que participou activamente na revolução e essencial para o desenrolar e amadurecer da democracia. Além disso, foi uma das figuras mais importantes da esquerda nacional, escritor de valor e inspirador de homens.

António Oliveira Salazar: É dito inúmeras vezes que um chefe de estado só pode ser julgado pelo seu próprio povo e o julgamento do povo Português é simples: eles não o querem esquecer. Para bem e para mal, é uma figura tremendamente importante da história nacional. Leal à sua ideologia, um génio financeiro e capaz professor, ajudou o país a acompanhar uma Europa nova e a manter uma face no mundo. Os seus erros são facilmente apontados, mas a verdade é que a sua herança perdura.

Aristides de Sousa Mendes: Um homem lendário, conhecido principalmente e glorificado pelas suas acções enquanto cônsul. As suas acções audazes que colocaram em risco não só o seu futuro como a neutralidade do pais, permitiram alguns milhares de se juntarem aos números fantasmas do Holocausto. Acabando por morrer na pobreza, o esquecimento parece não querer ter nada a ver com ele. Merecedor de estar neste grupo de grandes.

Fernando Pessoa: Se há um escritor que merecia o lugar é O escritor. Juntamente com Camões, este génio inovador e engrandecido por musas loucas encontrou a alma da nação, cantou-a e estimulou-a, glorificando-a dentro e fora das nossas fronteiras. Nenhum outro artista português lhe poderia roubar o lugar.

Infante D. Henrique: Um dos primeiros impulsionador da expansão marítima e tido como uma das principais fases dos Descobrimentos, o Infante decerto merece este posto. No entanto, todo o processo de preparação e execução dos Descobrimentos necessitou de muitos mais motores. Muitos mais homens poderiam reclamar as suas glórias…

D. João II: … Começando por este aqui. Um dos meus favoritos para o lugar de grande entre grandes, o Príncipe Perfeito foi um homem de visão e determinado em cumprir a sua visão. A sua inteligência e presença era de renome, contrariando a sua fraqueza física. Implacável e austero, não hesitava em atacar os próprios nobres para consolidar o seu poder. Contudo, essa austera justiça e o seu ideal de monarca forte tornaram-no lendário aos olhos do mundo e aos nossos olhos.

Camões: Um homem importante para o reconhecimento do espírito Português e pelo ressuscitar do estilo épico. Um verdadeiro português e um verdadeiro amante da sua arte – entre outras coisas mais palpáveis, – representa na perfeição a incarnação da época. Sem dúvida conquistou em vida este lugar, mas o seu defensor vai ter grande trabalho a ajudá-lo a reclamar o título de grande dos grandes.

Marquês de Pombal: Um homem inteligente e empreendedor, mas cujas qualidades são grandemente exageradas. Engrandecido pela fraqueza do rei que servia, de facto lutou em inúmeras frentes, mas nem sempre com o melhor para o país em conta. Mesmo assim, não destoa dos restantes grandes.

Vasco da Gama: Um dos melhores navegadores dos nossos Descobrimentos e sem dúvida o mais recordado. Montou um dos pilares da nossa era dourada com a sua rota, mas tal como já foi dito aqui antes, os Descobrimentos foi uma grande época feita por muitos grandes e pequenos homens. Dificilmente uma só face pode acartar com os louros.

Bem, nos 100 mais votados estavam alguns nomes… interessantes. Felizmente, não estão no Top 10 nomes como Mourinho, Vítor Baia, Luís Figo, Eusébio, Araújo Pereira, José Sócrates, Cristiano Ronaldo ou aquele rapazinho dos Morangos com Açúcar. Enfim, gostei de ver o que surgiu no fim.

Agora é ver hoje à noite como vai decorrer a fase final. Promete o suficiente para se revelar interessante.

16 Janeiro, 2007 Publicado por Ludovico M. Alves | Ars Scientia, Artes, Ciência, Comportamentos, Literatura, Notícias, Prémios, Sociedade, Tendências | | 7 Comentários

Avanços contra carcinomas dependentes de agentes virais.

É com grande expectativa que Portugal entra na primeira fase da comercialização do Gardasil. Esta inovadora vacina é das primeiras que se provaram eficazes no combate do cancro da fórnix. Apesar de dificilmente responder positivamente a todos os tipos de cancros uterinos, foi desenhado especificamente para combater os quatro tipos mais cancerígenos do vírus HPV (Papilomavírus Humano).

Esse vírus, HPV, infecta as mucosas genitais masculinas e femininas, sendo normalmente transmitida sexualmente. Contudo, onde se mostra mais prejudicial na fórnix. É normalmente detectado por testes de papanicolau e colposcopias, em casos positivos acompanhado por biopsias com o objectivo de estudar o seu estado de desenvolvimento. Todo este cuidado deve-se às estirpes do vírus que causam carcinomas. Como as estirpes 6, 11, 16 e 18, as estirpes sobre qual esta vacina incide.

Este tipo de carcinoma, infelizmente, é muito comum na Europa, obtendo cá o pico da percentagem de casos.O seu lançamento veio trazer uma oportunidade de inverter essa tendência há muito esperada. No entanto, a vacina é bastante específica, já que funciona no sistema clássico de um soro com capsinas em suspensão, obtidas por recombinação das estirpes em causa. Como tal, continua a padecer de riscos e depender bastante do sistema imunitário de cada um, não sendo ainda a vacina global que todos esperavam.

Sem dúvida um grande passo no combate de todos os carcinomas dependentes de agentes virais. É esperar para medir o seu potencial na balança de sucessos… e esperar que quando finalmente esteja pronto para distribuição mundial o preço seja muito mais acessível à saúde (e carteira) do português médio.

15 Janeiro, 2007 Publicado por Ludovico M. Alves | Ars Scientia, Ciência, Notícias, Sociedade | | Sem comentários ainda

Amniótica Esperança

Têm havido algumas novidades no campo da regeneração celular…

E para variar, uma onda ainda maior de especulação têm acompanhado essas recentes inovações.

Ainda nem faz uma semana, investigadores norte-americanos “descobriram” células estaminais e outras células progenitoras com capacidades de regeneração no líquido amniótico, no líquido que cerca os embriões em desenvolvimento.

Digo “descobriram” porque tal acto está longe de ser um “breakthrough” na área. A existência de tais células não é inesperada, a sua existência já anteriormente provada pelas reacções bioquímicas do dito líquido, que evidenciavam a existência de actividade celular a nível da regeneração e replicação, para além da normal síntese. Contudo, foi a primeira vez que se conseguiu isolar as ditas célula, pelo menos a níveis suficientes para as estudar.

O uso de matrizes intracelulares não é uma ideia particularmente nova. No mesmo molde temos o sucesso que os tratamentos de colagénio, idealizado a partir dos mesmos moldes. Que também são aplicados nos tratamentos de Alzheimer e Parkinson, cada vez mais debruçados sobre células da glia, os “mecânicos” dos neurónios. Contudo os preços dos cremes e a ausência de medicação adequada para as referidas doenças são apenas duas faces duma realidade que mostra bem como a especificidade dessas células e a complexidade dos seus processos de maturação, assim como os custos de as emular.

Apesar de ser uma descoberta promissora, existem problemas com essa teoria. Dificilmente as células estaminais possuem a totalidade das capacidades das suas irmãs que se encontram placenta e no embrião, tendo já atravessado várias mutações devido a estarem sujeitas a um meio que, em geral, contêm maior número de radicais livres que o embrião. Além disso, o meio amniótico chega a preservar proteínas e outras biomoléculas que não existem em embriões maduros e seres humanos, preservados nele após a passagem do feto para os estados mais avançados da gestação. Algumas dessas biomoléculas podem causar respostas adversas e até doenças auto-imunes em pacientes sujeitos a um tratamento que surja baseado no líquido amniótico. Por fim, o custo da extracção do líquido pode ser mínimo, mas o processo de separação é caríssimo. Cá em Portugal temos das melhores empresas de recolha e preservação de células estaminais de placentas, usando métodos baratos – relativamente, tendo em conta a área de trabalho, – a custos que dificilmente podem ser mantidos neste novo método.

Mas a ciência é assim, com passinhos de bebé. Duvido que daqui venha o Santo Graal dos biomateriais como a imprensa tem prometido, mas é uma zona com muito potencial. E ao menos não trilha por caminhos sociais tão problemáticos.

É esperar para ver.

13 Janeiro, 2007 Publicado por Ludovico M. Alves | Ars Scientia, Ciência, Comportamentos, Sociedade, Tendências | | 1 Comentário