Politicamente correcto, dinossauros e ciência II
Onde ia eu? Sim, mediocridade.
Falta propósito ao homem moderno. Seja ao homem de ciências, ao homem de artes ou ao homem de letras. As metas que colocamos a nós mesmos variam, mas são sempre nossas. Muitos há que se limitam simplesmente a trabalhar sobre modelos já existentes – a chamada clonagem cultural – ou entregam-se aos projectos megalómanos que eu referi no meu artigo anterior. Temos CERN para cientistas, Hollywood para o cinema, blocos editoriais… soberanos que ditam o passo, incontestáveis pela mera avalanche de recursos que têm à sua disposição.
É simplesmente impossível concorrer.
No entanto, sempre que existe inovação, manifesta-se a partir de “contra-blocos” que mesmo assim concorrem. E deles nasce grande inovação às maiores correntes. Basta ver o efeito que Bollywood, Tokyo ou dezenas de produtores independentes têm na indústria cinematográfica, fornecendo-lhe novo sangue e vigor. Ou podemos ver as simples ideias que nascem em oficinas e laboratórios, que chegam a todos nós com autocolante da MERCK ou “made in china”, mas surgiram de um pensamento literalmente fora de todas as caixas. Ou o pequeno escritor ou editor que aposta num estilo novo, que acaba por finalmente chegar a nós pelas mãos de um maior distribuidor, mas nascido de um simples ideia nova.
Por fim, já começando a baralhar até a minha, volto a sublinhar a conclusão que queria atingir. Menosprezar o valor dos líderes das áreas é algo nada inteligente, pois eles são algures das poucas entidades capazes de garantir o sucesso de algo ou de o arruinar para além de qualquer esperança. Contudo, o valor da pura inovação – boa ou má – daqueles fora desses círculos de poder deve ser respeitado, e usado como alicerce da inovação.
É verdade que não podemos parar o progresso…
Mas podemos moldar como ele decorre.
E a ver se desta vez atinamos com ele…
