Ars Scientia

Lá porque a perfeição é aborrecida, a compreensão é um mal necessário. Onde ciência, artes e letras convergem num estranho expoente.

Del Toro e Aronofsky abrem e encerram o Fantasporto deste ano!

É verdade, as minhas previsões estavam correctas…

Del Toro abrir o festival dia 23 de Fevereiro com El Laberinto del Fauno foi no entanto uma surpresa para mim. Uma boa surpresa, no entanto. Sempre quis ver o filme desde que ele esteve em Cannes. Del Toro é um homem com uma imaginação prodigiosa e eu simplesmente não consigo resistir isso num criador. Claro que não gosto de todo o portfolio dele (Blade II, estou a olhar para ti) e ele por vezes apresenta grandes lacunas em certas áreas… mas a imaginação nunca foi uma delas.

O meu Aronofsky…. voltou ao Fantas! Ainda me lembro da primeira vez que vi o Pi no festival, do momento em que me tornei um fã leal e dedicado. Demorou-me anos a entender o filme integralmente mas pronto, eu era jovem e ainda mais parvo na altura. Há meses que digo que o The Fountain iria ser apresentado no Fantas…

E parece que de facto vai ser, fechando o Festival no dia 3 de Março.

Mais notícias à medida que o cartaz for sendo descortinado.

16 Janeiro, 2007 Publicado por Ludovico M. Alves | Ars Scientia, Artes, Comportamentos, Notícias, Prémios | | 5 Comentários

Grandes Portugueses

Devo confessar que quando ouvi que a RTP ia realizar cá as mesmas votações que já tinham sido feitas mundo fora. Em muito com receio do que iria chegar à lista dos 10 mais. Mas vendo a lista, voltei a ganhar confiança no bom senso do nosso povo. Sinceramente vai ser uma coisa gira de votar e ver. Ainda mais interessante foi saber que cada figura nomeada para o Top 10 vai possuir um defensor público e um documentário para defender o seu estatuto de “grande.”

Isso promete, tendo em vista os nomes presentes.

Assim, um pouco de adiantamento, aqui no Ars fazemos uma pequena avaliação dos candidatos.

D. Afonso Henriques: Da maneira como a pergunta do programa está colocada, um sentido literal leva logo à escolha do nosso fundador. Afinal, quem mais fez mais por Portugal. O ponto é simples: sem ele não havia Portugal. Um favorito natural, foi um grande homem, duro e lutador, temido e respeitado até pelos inimigos. Um homem que conseguiu defender a sua rebeldia contra os outros poderes europeus, conquistar as graças da Igreja e das ordens e forjar um poderoso legado.

Álvaro Cunhal: Algum poder presente no 25 de Abril acabaria de ocupar um lugar nos 10 mais e ideologias políticas aparte, este objectivo acabou por ser cumprido por alguém merecedor. Entre os inúmeros dinossauros de 70 que foram candidatos, foi escolhido alguém que participou activamente na revolução e essencial para o desenrolar e amadurecer da democracia. Além disso, foi uma das figuras mais importantes da esquerda nacional, escritor de valor e inspirador de homens.

António Oliveira Salazar: É dito inúmeras vezes que um chefe de estado só pode ser julgado pelo seu próprio povo e o julgamento do povo Português é simples: eles não o querem esquecer. Para bem e para mal, é uma figura tremendamente importante da história nacional. Leal à sua ideologia, um génio financeiro e capaz professor, ajudou o país a acompanhar uma Europa nova e a manter uma face no mundo. Os seus erros são facilmente apontados, mas a verdade é que a sua herança perdura.

Aristides de Sousa Mendes: Um homem lendário, conhecido principalmente e glorificado pelas suas acções enquanto cônsul. As suas acções audazes que colocaram em risco não só o seu futuro como a neutralidade do pais, permitiram alguns milhares de se juntarem aos números fantasmas do Holocausto. Acabando por morrer na pobreza, o esquecimento parece não querer ter nada a ver com ele. Merecedor de estar neste grupo de grandes.

Fernando Pessoa: Se há um escritor que merecia o lugar é O escritor. Juntamente com Camões, este génio inovador e engrandecido por musas loucas encontrou a alma da nação, cantou-a e estimulou-a, glorificando-a dentro e fora das nossas fronteiras. Nenhum outro artista português lhe poderia roubar o lugar.

Infante D. Henrique: Um dos primeiros impulsionador da expansão marítima e tido como uma das principais fases dos Descobrimentos, o Infante decerto merece este posto. No entanto, todo o processo de preparação e execução dos Descobrimentos necessitou de muitos mais motores. Muitos mais homens poderiam reclamar as suas glórias…

D. João II: … Começando por este aqui. Um dos meus favoritos para o lugar de grande entre grandes, o Príncipe Perfeito foi um homem de visão e determinado em cumprir a sua visão. A sua inteligência e presença era de renome, contrariando a sua fraqueza física. Implacável e austero, não hesitava em atacar os próprios nobres para consolidar o seu poder. Contudo, essa austera justiça e o seu ideal de monarca forte tornaram-no lendário aos olhos do mundo e aos nossos olhos.

Camões: Um homem importante para o reconhecimento do espírito Português e pelo ressuscitar do estilo épico. Um verdadeiro português e um verdadeiro amante da sua arte – entre outras coisas mais palpáveis, – representa na perfeição a incarnação da época. Sem dúvida conquistou em vida este lugar, mas o seu defensor vai ter grande trabalho a ajudá-lo a reclamar o título de grande dos grandes.

Marquês de Pombal: Um homem inteligente e empreendedor, mas cujas qualidades são grandemente exageradas. Engrandecido pela fraqueza do rei que servia, de facto lutou em inúmeras frentes, mas nem sempre com o melhor para o país em conta. Mesmo assim, não destoa dos restantes grandes.

Vasco da Gama: Um dos melhores navegadores dos nossos Descobrimentos e sem dúvida o mais recordado. Montou um dos pilares da nossa era dourada com a sua rota, mas tal como já foi dito aqui antes, os Descobrimentos foi uma grande época feita por muitos grandes e pequenos homens. Dificilmente uma só face pode acartar com os louros.

Bem, nos 100 mais votados estavam alguns nomes… interessantes. Felizmente, não estão no Top 10 nomes como Mourinho, Vítor Baia, Luís Figo, Eusébio, Araújo Pereira, José Sócrates, Cristiano Ronaldo ou aquele rapazinho dos Morangos com Açúcar. Enfim, gostei de ver o que surgiu no fim.

Agora é ver hoje à noite como vai decorrer a fase final. Promete o suficiente para se revelar interessante.

16 Janeiro, 2007 Publicado por Ludovico M. Alves | Ars Scientia, Artes, Ciência, Comportamentos, Literatura, Notícias, Prémios, Sociedade, Tendências | | 7 Comentários