Ars Scientia

Lá porque a perfeição é aborrecida, a compreensão é um mal necessário. Onde ciência, artes e letras convergem num estranho expoente.

Pontos, Pontes e Culturas

Tem havido várias críticas às acções do nosso Presidente da República. Aparentemente há quem acredite que a sua viagem foi apenas um desgaste para as contas do país.
E eu pensava que a escolha de um Presidente com presença internacional era mesmo para reformular os laços e representar bem o país. Raios, porque sou eu tão inocente.
Ao menos todos os empresários que foram com ele voltaram com negócios. Não se pode dizer que todas as medidas de outros tenham garantido o mesmo.

Mas disperso-me. O que eu queria falar é sobre as pontes entre culturas e as últimas iniciativas com a Índia foram a dica perfeita. Riqueza é talhada nessas viagens, em todos os aspectos, desde os vulgares aos mais elaborados. As voltas que nós demos até chegar lá…

O bicho colectivo que é a humanidade evolui de encontros de culturas. Portugal e Índia têm ricas histórias paralelas e ao mesmo tempo perpendiculares… e por vezes divergentes. Pormenores. Mesmo contra fundos fracos, o Instituto Camões sempre inspirou gente a explorar e aprender a língua e cultura portuguesa. Na rica tapeçaria cultural que é Índia, o elo da curiosidade é mais forte que as limitações materiais.

Mas quando as coisas não dão com uma realidade hispânica… há sempre outra. Por isso o Instituto Cervantes tem igual ou maior sucesso na região.

Língua e cultura trocamos. No entanto, as possibilidades não param. A Índia e Portugal curiosamente partilham bastante das áreas industriais em quais nos temos grandes casos de sucesso. A indústria de alta tecnologia e investigação, como por exemplo, a biotecnologia, são fortes de ambas as nações. Uma nova ponte, uma nova fonte. A globalização não tem de ser a clonagem cultural que costumamos ver. A troca de ideias é impagável.

E se forem precisas mais viagens para isso… bem, o nosso país já pagou mais para percorrer o mesmo caminho.

19 Janeiro, 2007 - Publicado por Ludovico M. Alves | Ars Scientia, Ciência, Comportamentos, Humanidades, Sociedade, Tendências | | 4 Comentários

4 Comentários »

  1. Ludovico M. Alves,
    Obrigada pela visita ao público&privado e por gostar do meu texto!
    As viagens são intercâmbios bem enriquecedores para as diversas culturas. Ainda mais quando não se tem a noção de ’superioridade’ em mente.
    Ótimos posts,
    Cris

    Comentário por cris s | 20 Janeiro, 2007 | Responder

  2. É um bom blogue e um bom texto, é fácil de gostar de ambos. Da minha parte, obrigado pela visita.

    Comentário por Ludovico M. Alves | 22 Janeiro, 2007 | Responder

  3. Também devo ser muito inocente, porque considero que esta viagem do PR foi bastante bem pensada e programada.

    Em vez de visitar paises que pouco ou nada têm a ver connosco, ou dos quais pouco podemos beneficiar, visitou-se a India. Pioneira em bastantes áreas que o nosso páis quer desenvolver.

    A própia viagem foi muito bem preparada, cada acto tem uma razão de ser. Será que estamos a, finalmente, perceber o papel de PR?

    Comentário por umbraebelfagor | 26 Janeiro, 2007 | Responder

  4. Argumentar com os gastos financeiros de uma viagem é mesquinho, porque até parece que, como dizes, um PR não é para ir em representação do país ao estrangeiro, reforçando os laços internacionais. E se, sinceramente, fossem essas despesas que estevissem a degradar as contas públicas…
    O Instituto Camões é que podia mesmo trabalhar um pouco mais: de vez em quando chegam-me fios de beque bastante negativos e mesmo a tua review não é muito animadora. Há que investir mais na lusofonia: havíamos de ser todos Agualusas.

    Comentário por silent_dark | 29 Janeiro, 2007 | Responder


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